O Índice de Convergência Ambiental Total (Icat), produzido pela Virada Parlamentar Sustentável com base nas principais votações em plenário, mostrou que, na legislatura atual, o Brasil tem uma composição da Câmara dos Deputados menos alinhada às pautas ambientais do que a anterior. Enquanto a média foi de 43% no período entre 2018 e 2022, o índice caiu para 29,1% no mandato atual, inferior aos 42% previstos pelos pesquisadores após os resultados da eleição de 2022. No Senado, a convergência ambiental na atual legislatura é ainda menor: 25,49%. Especialistas, diante disso, avaliam a existência de uma “ruptura com o compromisso ambiental” do governo, às vésperas da COP30, a ser sediada em Belém (PA) em novembro. Para Marcos Woortmann, cientista político e diretor adjunto do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), a pauta ambiental “foi sequestrada pela polarização”. E avalia também que “há uma miopia de parlamentares de centro e da direita sobre o tema”. O movimento recente do presidente Lula para se aproximar do senador Alcolumbre — um dos principais apoiadores da exploração de petróleo na Margem Equatorial -, no entanto, também vem preocupando ambientalistas, que percebem uma contradição na gestão petista, que se coloca como antagônica ao viés antiambiental observado no governo Bolsonaro. (O Globo – 18.03.2025)